O Maridão detesta-a, diz que é uma burra-gorda-traidora. Ohhh, mas ela gosta dele!
Sei que ela é uma cola e mandona e gritona e mal-criada e mimada e que tem (tinha) namorado. Mas ficam tão fofinhos juntos! E ele... com aqueles olhinhos de cachorrinho abandonado... só me apetece dar-lhe miminhos!
Eu sei, sou uma tonta! Rio-me e ao mesmo tempo derreto-me com os ciúmes e as brigas e os "olha-me nojolhos"/""dá-me um xi"/"és um gigante no meu coração".
Na falta de emoção pela chegada do Natal, achei que tinha que fazer qualquer coisa para nos (a mim e ao Maridão) imbuirmos de um bocadinho que seja de espírito natalício.
Vai daí, comecei por pôr a tocar todas as músicas de Natal que conheço enquanto fazia as limpezas da cozinha (sim, eu demoro um bocadinho porque quando começo aquilo vai do tecto ao chão, com muito esfreganço incluído). Não satisfeita, lembrei-me de cozinhar. Qualquer coisa que me deixasse a casa a cheirar a Natal.
Saiu isto:
Gingerbread Cookies
Gingerbread Man
('tadinho, não está lá grandes coisas, mas como eu não tinha a forma
Este ano o Natal cá em casa será muito diferente. Por razões que nos são alheias, eu e o Maridão teremos que mudar as nossas tradições e planos. Nada que não se faça e é por uma muito boa causa.
Como é óbvio, espírito natalício é coisa que não abunda por aqui. O que não é normal. Eu e o Maridão sempre adorámos o Natal! Ainda em namorados, vivíamos esta época com grande expectativa e alegria. De há uns 3 anos para cá que o meu interesse vem diminuindo (avarias cerebrais, sei lá...). Mas ele mantinha-se intensamente fã. Até este ano. Ora, pois que nem árvore de Natal iríamos ter. Mas lá o convenci a montarmos pelo menos a pequenina (mesmo pequenina) ao pé da televisão, acompanhada do presépio.
Sei que é uma situação única e que para o ano vai voltar tudo ao que era. E vamos ter novamente a árvore grande, gorda e iluminada na sala de jantar! E os bonequinhos espalhados pela casa. E tudo e tudo e tudo! :)
Devo ter andado 24 anos para trás (mais coisa, menos coisa) e revi-me deitada de barriga para baixo na cama dos meus pais, à espera que o jogo de futebol que passava na RTP Açores acabasse (era quando passavam aquelas letrinhas brancas com publicidade na parte inferior do ecrã que eu já sabia que faltava pouco para acabar o jogo), mas ainda ter que levar com o intervalo... e ver isto!!!
Admito que em alguns episódios fosse aconselhável acompanhamento parental, mas o que eles queriam lá em casa era ver-me calada, por isso... ;)
Sou fã do Bruno Nogueira. Gosto de piadas porcas, pronto!
Gosto, acima de tudo, do ar de "quem nunca partiu um prato" com que ele diz as coisas. Por isso, não consegui conter o riso quando li isto:
"Vou directo ao assunto: irrita-me o senhor Roberto Leal. Não gosto do cabelo, a roupa faz-me confusão à vista, e o sotaque indeciso entre dois países dá-me vontade de enfiar este corpinho carnudo num Opel Corsa e espetar-me a 140 km/h (porque o Opel não dá mais), contra uma carrinha que transporte bilhas de gás cheias.
Sendo ateu convicto, muito mais me incomoda que tudo o que diz, inclua:
a) uma alusão a deus (sim, com letra pequena)
b) nossa senhora
c) qualquer outra personagem do best seller de ficção "A Bíblia".
Pensará o estimado leitor: "então esta besta é convidada para escrever o prefácio do indivíduo cantor de Vale da Porca, e desata-me a dar pancada no homem?"
Calminha.
Primeiro, não respondo a frases escritas por mim a fingir que são outras pessoas.
Segundo, as linhas acima escritas datam de há cerca de dois anos, época em que não conhecia o autor deste distinto livro.
Dito isto, devo dizer o seguinte: o Roberto Leal foi uma das grandes lições que tive nos últimos anos. Passo a explicar.
Conheci o Roberto quando o convidei para integrar um programa de altíssima comédia, chamado "Último a Sair". O desafio era claro: desconstruir a imagem que Portugal tinha dele, de forma a que isso fosse uma mais valia, tanto para o programa, como para ele próprio. Confesso que fiz o convite a achar que ia receber um não.
Mas um não com sotaque.
Recebi um sim.
Mas um sim com sotaque. E esse foi o início da lição.
Ao longo dos episódios, eu e a equipa de escrita do programa, fomos subindo a fasquia, para perceber qual era o dia em que o Roberto lia o guião e de seguida dava entrada nas urgências do Amadora-Sintra com um principio de ataque cardíaco.
Não aconteceu. E garanto-vos que nos esforçávamos, terminando as sessões de escrita a dizer: "naaaa, ele nunca na vida vai aceitar filmar um jantar afrodisíaco a fazer-se a mim, ao Miguel Damião e ao Unas, enquanto está a dançar com uma flor na cabeça e depois leva uma mangueirada na boca."
E na semana seguinte, o Roberto Leal estava a filmar um jantar afrodisíaco, a fazer-se a mim, ao Miguel Damião e ao Unas, enquanto dançava com uma flor na cabeça, para então depois levar uma mangueirada na boca, em horário nobre, na RTP 1.
Os filhos das pessoas que ouviam Roberto Leal, começaram aos poucos a perceber que aquele bichinho tinha muito mais andamento do que eles. E isso passou a ser assunto.
E eu, ao longo do tempo, fui descobrindo a generosidade e a entrega de alguém que estava disposto a pôr-se em risco e que, por isso mesmo, foi ganhando o respeito e admiração de todos os que trabalhavam à sua volta.
Atirou-se de cabeça para um rio que tanto podia ter 20 cm de profundidade, como 20 metros. Eu dizia-lhe que tinha 20 metros, mas não passava de um palpite.
E o resto foi o que se viu. Teve a inteligência de aproveitar tudo o que achávamos que eram pontos fracos, para fazer deles armas de renascimento artístico e pessoal.
Começou de novo sem ter de apagar o que estava para trás e mostrou que há mais para ver do que aquilo que nos chega desfocado aos olhos.
Ele dirá que foi deus quem o encaminhou para isso.
Eu sou mais de dizer que foi nossa senhora. Até porque sou maluco por mamas.
Ah, e já que estou numa de abrir o coração, cá vai: em Julho de 2011 fui três vezes para a cama com o Roberto. A primeira foi num pinhal em Abrantes, e as outras duas foram nas traseiras de um bar, em Vale da Porca, contra uma grade de cervejas. E até nisso ele foi surpreendente, porque tem uma pilinha extremamente pequenina e em forma de Irmã Lúcia.
Quanto ao livro, não li, mas acho muito fraquinho."
InPrefácio do Livro de Roberto Leal, escrito por Bruno Nogueira.