Continua coladinha a mim, esta querida.
Ontem à noite consegui deixá-la por um bocadinho sozinha em casa. Não deve ter gostado muito, por isso hoje vinga-se.
Pedi-lhe ontem, com muito jeitinho, se não se importava de me deixar ir descansada, sem ter que carregar o seu peso, assistir à peça de Natal do afilhado mais novo ao colégio. Torceu o nariz e foi difícil convencê-la. Por pouco não me deixava mesmo sair. É pior do que um guarda prisional! Mas lá cedeu. E eu fui. E amei estar com o meu menino e receber beijinhos dele. Deu-me ânimo!
Aproveitei que estava sozinha (mas sempre com medo que ela se fartasse de esperar e viesse ter comigo) e fui jantar fora, com o Maridão e os pais do afilhado. Foi relaxante e, por isso, consegui desligar o botãozinho que activa esse meu medo das visitas-surpresa dela.
Parece que faz de propósito, aquela besta. Bastou terminar o jantar e entrar no carro para me dirigir para casa e lá estava ela, sentada no lugar do passageiro. É mesmo estúpida, a gaja. Não podia esperar que eu chegasse a casa? Nãããooo... tinha que me escoltar pelo caminho. E lá fui eu com o peso no peito com que ela insiste em carregar-me. Se eu podia negar-me a cumprir as ordens dela? Era bom. Mas tem demasiada força, a vaca.
Mas eu também sou teimosa e, trombuda, assim que cheguei a casa dirigi-me logo para o quarto e preparei-me para dormir. Nem lhe dei a oportunidade de irmos ver televisão juntas porque sabia que me ia estar a incomodar o resto do serão. Fui para a cama. Fiz a asneira de ligar o portátil. E lá veio ela, de mansinho, como quem não quer nada, deitar-se a meu lado. Olha que merda, dormir a três!
E lá conseguiu que eu apenas adormecesse depois das 2h da manhã. Já estou farta que ela me faça isto. É pura estratégia para que eu não tenha forças para em levantar de manhã. Venceste. Ouviste? VENCESTE! Acordei hoje pior do que ontem! Mal acordei recorri logo aos inimigos dela (assim como o alho para os vampiros), mas esta anormal parece que está a ganhar imunidade aos ataques deles e depois faz com que eu é que não pareça normal.
Esta mula atacou com tamanha força que fez com que hoje ainda só me tenha levantado para ir à casa-de-banho. Comer? Não tenho fome. Trabalhar? Não tenho motivação. Rir? É que não me apetece mesmo. Sair, estar com pessoas, conversar? Deus me livre! Já me dói a barriga só de pensar que logo tenho o jantar de Natal de uma das empresas para a qual trabalho. Mais me dói por pensar que nem sequer posso arranjar desculpa para não ir e que ainda por cima aquilo vai ter lugares marcados e eu vou ter que me sentar na mesa do Conselho de Administração, acompanhada por um bando de velhadas.
Vou terminar como ontem, mas de forma mais sentida: FODA-SE!