Vocês não imaginam, mas é que não imaginam MESMO o que me aconteceu esta manhã (que se estendeu pela tarde) no tribunal.
Já vi de (quase) tudo em tribunal (em S. Miguel temos comarcas muito profícuas em casos insólitos), mas esta de hoje superou! Eu já nem sabia se havia de rir ou de chorar.
Explicar-vos-ei tudo ao pormenor, mas deixem-me ir ali ao Centro Comercial comer qualquer coisinha, pois só agora parei.
É com cada uma...!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Amor em Veneza
Esta gente recorre à justiça para tudo!
Não me admira, pois, que os tribunais estejam sobrelotados de processos e não consigam dar resposta em tempo útil.
E eu a pensar que os venezianos eram gente romântica e cheia de amor para dar... Afinal os velhos querem é cortar o cordão umbilical assim que os putos atingem os 18 anos e gozar a reforma em paz. Não há cá jantares de família nem domingos passados com os netos. Atingiste a maioridade? Ála que se faz tarde! Já te aturei anos demais...
Esta foi tirada do Público.pt:
Veneza
Casal italiano recorre à justiça para expulsar de casa filho de 41 anos
21.09.2011 - 15:10 Por PÚBLICO
O dia em que os filhos saem de casa é quase sempre difícil para os pais, mas para os progenitores de um italiano de 41 anos esse seria um dos dias mais felizes das suas vidas. Um casal de Veneza quer expulsar o filho de casa e recorreu ao apoio de advogados. A mãe queixa-se de stress com as exigências diárias do filho.
Roupa lavada e refeições caseiras. Estes são alguns dos privilégios que o filho do casal veneziano acha que devem continuar a ser respeitados enquanto morador na casa dos pais. Mas estas exigências estão a levar ao desespero da mãe que devido ao stress já foi hospitalizada.
“Não podemos aguentar mais”, afirmou o pai, citado pelos media italianos. “A minha mulher sofre com o stress e teve que ser hospitalizada. Ele [o filho] tem um bom emprego mas ainda vive em casa. Exige que a sua roupa seja lavada e passada a ferro e que as suas refeições estejam feitas. Ele não tem qualquer intenção de sair”, continuou o queixoso. O casal recorreu à ajuda do departamento jurídico da associação de consumidores Adico. Citado pela BBC, Andrea Camp, advogado da Adico, avançou que já foi enviada uma carta ao filho do casal a alertá-lo que terá que abandonar a habitação no prazo de seis dias ou irá enfrentar uma acção judicial. Caso se recuse sair, o advogado irá recorrer a um tribunal de Veneza para que emita uma ordem de restrição a favor dos pais. Este é o segundo caso do género reportado à Adico em um mês. Segundo a associação, o filho de um outro casal acabou por sair da casa dos pais, que assim que este saiu trocaram as fechaduras da porta de entrada.
E eu que tive a minha mãe a chorar duas semanas antes de eu ir na viagem de finalistas... Sou mesmo uma mimada, pá! Eu devia era levar com um processo em cima e pagar-lhe uma indemnização por todos os danos morais que lhe causei...
Apetece-me...
... Cozinhar. Não, não estou maluca. Pelo menos não mais do que o costume... ;)
Hoje comi como sobremesa ao jantar uma bela tarte Pastel de Nata. É isso mesmo: um pastel de nata gigante. E que boa que estava...
A sogrinha deu-me logo a receita. E agora estou com vontade de cozinhar. Mas já passa da meia-noite e amanhã trabalha-se. Para matar este "desejo" amanhã vou tentar chegar cedo a casa (se a reunião de escritório não se alongar...) e fazer bolachinhas, que já há muito tempo não as tenho em casa sem ser as compradas no supermercado. A tarte não a faço já porque depois fica p'raí e ninguém a come. Mas no fim-de-semana não falha, pois temos um jantar de amigos e vou querer experimentar a receita para levar. A tarte e a minha famosa limonada com lima, hortelã e gengibre. É que soube ontem que a minha querida amiga S. (anfitriã do jantar) está grávida e, como me disse que tem comido imensas limas e limões como se de laranjas se tratassem (argh!), levo-lhe a limonada para se consolar toda. E a tarte para ver se adoçamos a criança. ;)
Fica aqui a receita se alguém quiser experimentar:
TARTE PASTEL DE NATA
(foto retirada da internet)
Ingredientes:
- 2 pacotes de natas
- 2 medidas (do pacote de natas) de leite
- 2 colheres de sopa de amido de milho (aka Farinha Maizena)
- 2 colheres de sopa de farinha custard (a sogrinha usou da marca Ramazzotti e ficou aprovadíssima, por isso é desta marca que vou comprar)
- 400 g de açúcar
- 1 base de massa folhada
Preparação:
- Pré-aquecer o forno a 200ºC.
- Misturam-se todos os ingredientes pela seguinte ordem (primeiro os sólidos e depois os líquidos): as farinhas e o açúcar, seguidos das natas e do leite.
- Leva-se a mistura ao lume (brando) e mexe-se sempre de forma a conseguirmos uma espécie de papa (se estiver demasiado espessa, pode-se ir adicionando aos poucos mais leite, até obtermos a consistência desejada).
- Unta-se uma tarteira com um bocadinho de manteiga, estende-se a base de massa folhada e pica-se a mesma com um garfo.
- Deita-se sobre a massa folhada a mistura anteriormente preparada.
- Colocar a tarte no forno, baixando a temperatura do mesmo para os 160ºC.
- Assim que estiver douradinha é sinal que está pronta e pode ser retirada do forno para arrefecer.
- Para aqueles que adoram canela nos pastéis de nata, podem polvilhá-la sobre a tarte ou então servi-la à parte, para cada pessoa colocar a quantidade que quiser na(s) sua(s) fatia(s).
Digam-me depois como é que saiu a vossa. É que é mesmo boa!
domingo, 18 de setembro de 2011
A Casa dos...
Segredos?! Quais segredos?! Constatações óbvias, isso sim!
Constatação óbvia n.º 1: Viva as loiras!
Constatação óbvia n.º 2: Viva as burras!
Constatação óbvia n.º 3: Viva as casas de alterne!
Constatação óbvia n.º 4: Viva aos broncos cheios de músculos and a brain the size of a pea!
Constatação óbvia n.º 5: Viva a merda de textos que escreveram para a Teresa Guilherme!
Não há amor como o primeiro!
Constatação óbvia n.º 1: Viva as loiras!
Constatação óbvia n.º 2: Viva as burras!
Constatação óbvia n.º 3: Viva as casas de alterne!
Constatação óbvia n.º 4: Viva aos broncos cheios de músculos and a brain the size of a pea!
Constatação óbvia n.º 5: Viva a merda de textos que escreveram para a Teresa Guilherme!
Não há amor como o primeiro!
Odeio
Odeio limpezas, odeio tarefas domésticas, odeio detergentes, odeio aspiradores, odeio panos de pó!!!
Tenho uma puta de uma dor de costas!
:P
Tenho uma puta de uma dor de costas!
:P
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Amor de Mãe
Não, não vos vou falar daquelas tatuagens tão "lindas" que vemos por aí nos bracinhos de alguns conterrâneos micaelenses.
Vou mostrar-vos o exemplo de uma acusação daqueles processos "fantásticos" que me vão calhando. Como, por razões óbvias, não posso transcrever o texto nem identificar as "personagens", vou fazer-vos um resumo:
(...)
1.O menor A, nascido em __/__/2006, é filho da arguida B (nascida em 1988!) e de C, casados um com o outro.
2. Entre meados de 2007 e o final de 2008, A, B, e C viveram em casa dos avós paternos do menor.
3. O menor A dormia no quarto dos avós.
4. Antes de a avó ir trabalhar, de manhã, deixava o menor com a arguida B, mãe dele, no quarto desta.
5. Como a arguida B pretendia continuar a dormir e o menor ficava acordado e a fazer barulho, por várias vezes a arguida bateu no menor (nessa altura com cerca de 18 a 24 meses) com bofetadas e socos no corpo (cara, costas, braços e nádegas).
6. Certo dia, como o menor não queria dormir, a arguida puxou-lhe a gola do pijama com força e bateu-lhe com um chinelo nas costas, tendo o menor ficado com um hematoma no pescoço e uma mancha vermelha nas costas.
7. Noutras alturas, quando o menor não queria comer, a arguida chegou a agarrar-lhe no queixo com força e a bater-lhe, dando-lhe socos.
8. Outra vezes, quando o menor vomitou, ela deu-lhe chapadas na boca.
9. O menor apresentava nódoas negras no corpo.
10. O menor vivia num estado de intranquilidade e receio permanentes.
(...)
Eu levei boas palmadas, mas eu era o demónio na terra e a minha mãe tinha o discernimento de aplicar o seu "aborrecimento" aqui no rabinho da menina, usando apenas as mãos ou, quanto muito, um chinelinho ou a bela da vassoura de milho (maldita vassoura de milho!). Já o papá, bastava chamar pelo primeiro e segundo nome (que não digo!) que eu parava quietinha logo, logo. Nunca teve que me levantar a mão. Também acho que não tinha coragem, aqui entre nós... ;)
Uma mãe como aquela bate aos pontos a madrasta da Gata Borralheira! Sai-te, besta!
ME-DO!!!
Mais comprinhas II
Este post é mesmo só para vos irritar. :)))))))
E sim, já cá cantam. Lindos e novinhos, prontos para serem lidos.
E sim, já cá cantam. Lindos e novinhos, prontos para serem lidos.
(Muito bom! Para além das explicações todas, ainda traz um rol excelente de receitas - coisas realmente comestíveis! Uma vez que descobri que o "1,2,3, uma colher de cada vez" já não está à venda, este é um óptimo substituto.)
(A ver se o Maridão - que é hipocondríaco de nível máximo - não corre para o hospital ou para casa dos papás, que são ambos enfermeiros, todas as vezes que o bebé der um espirro.)
E a minha biblioteca continua a crescer... ;)
Stress pré-traumático
Pensei que hoje me fosse estar a sentir assim, à beira de um ataque de pânico. Mas por incrível que pareça, estou calma.
É que amanhã tenho um julgamento importante, em que estão em causa alguns milhares de euros. E qual é a causa do nervosismo?
Primeiro: é uma acção ordinária. Não, não tem ordinarices; o valor da causa é que é superior a € 30.000,00 (quase meio milhão, na verdade). Eu faço poucas audiências de julgamento em casos de Processo Civil. Normalmente preparo só as acções. E são julgamentos tão aborrecidos porque estou "presa" aos artigos da base instrutória, isto é: só posso perguntar às testemunhas aquilo que constar da lista de factos que o juiz considerou como não assentes. Se me desvio um bocadinho das perguntas directas (normalmente para tirar nabos da púcara - porque eu gosto é de um bom enredo!), lá tenho o Meretíssimo a chamar-me à atenção: "Sra. Dra., está a fugir aos quesitos". Bahhhh! Tribunal a sério para mim é em Processo Penal. Com os meus bandidos é que eu estou bem! E posso perguntar o que quiser! :P
Segundo: os intervenientes do processo pertencem ao meu círculo de pessoas íntimas. Odeio tratar de assuntos legais que envolvam amigos/família. A pressão é muito maior para que corra tudo a nosso favor. Mas como não dá para dizer que não... :P
Enfim, se amanhã acordar nervosa, há-de passar, pois não há nada que 2 Xanax não resolvam. LOL
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Quem fala assim não é gago
Ai, não é, não senhor!
Até que enfim alguém vem falar em sexualidade irresponsável, paternalismo e desresponsabilização!
Perante a eterna e para sempre interminável discussão em torno da liberalização do aborto (que, no nosso país, atingiu o seu auge com a entrada em vigor de uma lei que, a meu ver, só veio desculpar a conduta de quem não consegue assumir as consequências dos seus actos), dá-me gosto ler qualquer coisa que não seja sobre "direito à vida vs direito de a mulher decidir sobre o seu próprio corpo". Vai daí, encontrei isto:
O aborto não é um contraceptivo
Foi anunciado o corte na comparticipação da ‘pílula’, com o argumento de que se poupariam muitos milhões ao Estado. Agora, as chamadas de última geração, com menos efeitos secundários, e tendencialmente mais usadas, já não o são, mas a avaliar pela poupança anunciada presume-se que haja muitas mulheres (das cerca de dois milhões de utilizadoras) que ainda usam a antiga, provavelmente até pelo facto de ser subsidiada. De qualquer forma, estamos a falar, em média, de 8 euros por embalagem das novas e 4,88 euros das ‘tradicionais’.O Ministério da Saúde desvalorizou a medida, dizendo que a pílula é oferecida nos centros de saúde. Na prática, sabe-se que representa um número residual e constantemente sujeito a rotura de stocks, mas vamos partir do princípio de que as mulheres agora penalizadas corriam a pedi-la gratuitamente. O custo para o Estado seria, então, o dobro da poupança, o que deixa claro que o Ministério da Saúde sabe perfeitamente que tal não vai acontecer. É um argumento desonesto. Quando se celebram 50 anos de pílula contraceptiva, é tristemente simbólico este retrocesso. Mas argumentar contra a decisão com a ameaça de mais abortos, choca. Choca, porque é paternalista, e desresponsabiliza mulheres e homens. Não podemos aceitar que num país do primeiro mundo como Portugal este corte, sendo lamentável porque é menos um apoio, possa justificar uma sexualidade irresponsável ou que se aceite a possibilidade do uso do aborto como método contraceptivo. Colocar o ónus de uma gravidez ou aborto nos ombros do Estado é de uma leviandade inacreditável, um argumento que não pode servir de arma, mesmo para defender o que merece defesa.
Mas porque é que as pessoas têm a mania de culpar o Governo de tudo?! Pela troika eles são responsáveis, é verdade. Pelo aumento dos impostos. Pela República das Bananas em que nos tornámos. Agora, por gravidezes indesejadas?! Tenham dó!
Independentemente de se ser contra ou a favor, deve-se sempre respeitar a opinião alheia no que a este assunto respeita. Eu respeito quem é a favor. Mas não consigo concordar. Tenho os meus motivos, argumentos e conclusões. Sou assumidamente contra. E todos os que me rodeiam sabem isso; nunca o escondi. Mas não deixo de ter respeito pela opinião dos outros. Cada um sabe de si.
Já sei que se estão para aí a perguntar: "Ai, mas se soubesses que o bebé ia nascer deficiente? Se soubesses que havia grandes probabilidades de morrer na hora do parto? Se o bebé fosse fruto de uma relação sexual não consentida?". Não me importa. EU não abortava na mesma. Mas isso sou eu. Considero que um filho é uma dádiva, desde a sua concepção. Deus me proteja e não me dê um bebé com problemas de saúde. Mas isso não é por mim, é pela criança. O facto de ser ser mãe faz com que se esqueça tudo. Até a cara de um eventual violador. Porque ter um filho suplanta-nos, torna-nos melhores, dá-nos uma razão para viver quando tudo o resto corre ao contrário. E eu digo isto sem nunca ter sido mãe; mas tenho o exemplo da minha, que sempre viveu e ainda vive para mim e para o meu irmão (adultos e mais que crescidinhos!). Sempre nos demonstrou o maior amor do mundo. Nunca se inibiu em dizer que nos amava. Sempre nos fez sentir queridos, protegidos e acompanhados. E o mesmo fez o meu pai. Pode não ser uma pessoa de abraços e beijinhos (a minha mãe também exagera!), mas esteve sempre lá para nós. Nunca nos negou nada, nem mesmo quando o que pedíamos era em jeito de birra. Sou uma sortuda. Tenho pais que me desejaram e acolheram como uma extensão deles próprios. Espero conseguir fazer um dia com que os meus (futuros) filhos sintam o mesmo em relação a mim.
Sei bem que há muitas mulheres (e homens) que acham os meus fundamentos retrógados, conservadores, até moralistas. Não, a minha motivação não é religiosa (pese embora eu tenha referido Deus mais acima). É sentida, mesmo. A Igreja também é contra o uso da pílula e eu tomo-a; sem qualquer tipo de peso na consciência. Porque sei (sempre mo ensinaram) que a Bíblia é um conjunto de parábolas, não é para ser interpretada no seu sentido literal. E porque também sei que a Igreja-instituição foi alterando ao longo dos séculos o âmago daquilo que é o catolicismo. Bem, mas religiões à parte, que não é disso que estamos aqui a falar (sei lá se é Deus, se é Alá, se é Ganesha; é aquilo em que cada um acredita!), quero, uma vez mais, reiterar que sou capaz de ouvir e acatar a opinião daqueles que são a favor do aborto. Como eu tenho os meus, essas pessoas têm os seus motivos. Eu tenho amigos que são a favor do aborto e não é por isso que gosto menos deles. Conheço mulheres que já interromperam voluntariamente uma gravidez e não é por isso que as olho de lado. Apenas acho que podiam ter escolhido outro caminho...
Sobretudo, acho que é preciso, cada vez mais, falar aos miúdos desde cedo sobre a sexualidade (a sua e em geral). Para quê dizer a um menino de 9 anos que os bebés saem pela barriga da mãe, onde o Sr. Dr. faz um corte? Sim, saem. Em algumas situações. E nas outras? Nas outras explica-se. Não é preciso falar-lhes de sexo e muito menos dar-lhe uma conotação negativa. Eu revelei os factos todos ao meu afilhado mais velho (com 9 anos) de uma forma natural, sem constrangimentos, com recurso a imagens e apelando à biologia e anatomia humana. A reacção dele? Naturalíssima. Como se eu lhe tivesse explicado como é que se processa a passagem da água do estado líquido ao gasoso. Compreendeu perfeitamente e percebeu que é uma coisa da natureza: acontece com os humanos como com os animais. A palavra "sexo" nem veio à baila. Se ele a diz, é porque vê/ouve na televisão. Se ele vê um casal aos beijos, acha que vão ter sexo. Nem sei se ele sabe o que o sexo é. Eu cá não lhe expliquei. Mas ao menos não acredita que os bebés são trazidos pelas cegonhas e só por isso sinto que cumpri o meu dever.
Agora o que me custa (e surpreende, sobretudo!) é ter tido que tirar uma hora daquelas reservadas a uma das disciplinas que lecciono para explicar às minhas alunas (com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos - e todas sexualmente activas!) o que são os métodos contraceptivos e as doenças sexualmente transmissíveis. Andavam elas a tomar a pílula do dia seguinte 3 vezes por mês, a ter relações desprotegidas (sem preservativo) e a sua única preocupação era não engravidar (e as doenças, raparigas?!). A única DST que conheciam era a SIDA. Nunca ouviram falar de sífilis, gonorreia, clamídia... Da turma inteira, 99% afirmou que abortaria se descobrisse que estava grávida (a única que disse que não apareceu-me grávida um mês depois e decidiu ficar com o bebé, que a esta altura faltam poucas semanas para conhecer o mundo que o espera). É triste, esta realidade, não é? Onde estão os pais dessas crianças?? Crianças sim, porque a maturidade ali não abunda... Não as acompanham porquê? E não me venham cá dizer que a culpa é das escolas por não leccionarem a disciplina de Educação Sexual que há anos consta do programa curricular. As pessoas ainda não perceberam que a educação começa (e, em última instância acaba) em casa. A escola é um complemento e foca-se mais nos aspectos académicos. Formação cívica e pessoal aprende-se com quem nos cria e nos transmite valores. É que há uma coisa que se chama "escola da vida" e eu cá não gostava que os meus filhos assistissem a essas aulas sozinhos, sem o meu amparo...
Independentemente de se ser contra ou a favor, deve-se sempre respeitar a opinião alheia no que a este assunto respeita. Eu respeito quem é a favor. Mas não consigo concordar. Tenho os meus motivos, argumentos e conclusões. Sou assumidamente contra. E todos os que me rodeiam sabem isso; nunca o escondi. Mas não deixo de ter respeito pela opinião dos outros. Cada um sabe de si.
Já sei que se estão para aí a perguntar: "Ai, mas se soubesses que o bebé ia nascer deficiente? Se soubesses que havia grandes probabilidades de morrer na hora do parto? Se o bebé fosse fruto de uma relação sexual não consentida?". Não me importa. EU não abortava na mesma. Mas isso sou eu. Considero que um filho é uma dádiva, desde a sua concepção. Deus me proteja e não me dê um bebé com problemas de saúde. Mas isso não é por mim, é pela criança. O facto de ser ser mãe faz com que se esqueça tudo. Até a cara de um eventual violador. Porque ter um filho suplanta-nos, torna-nos melhores, dá-nos uma razão para viver quando tudo o resto corre ao contrário. E eu digo isto sem nunca ter sido mãe; mas tenho o exemplo da minha, que sempre viveu e ainda vive para mim e para o meu irmão (adultos e mais que crescidinhos!). Sempre nos demonstrou o maior amor do mundo. Nunca se inibiu em dizer que nos amava. Sempre nos fez sentir queridos, protegidos e acompanhados. E o mesmo fez o meu pai. Pode não ser uma pessoa de abraços e beijinhos (a minha mãe também exagera!), mas esteve sempre lá para nós. Nunca nos negou nada, nem mesmo quando o que pedíamos era em jeito de birra. Sou uma sortuda. Tenho pais que me desejaram e acolheram como uma extensão deles próprios. Espero conseguir fazer um dia com que os meus (futuros) filhos sintam o mesmo em relação a mim.
Sei bem que há muitas mulheres (e homens) que acham os meus fundamentos retrógados, conservadores, até moralistas. Não, a minha motivação não é religiosa (pese embora eu tenha referido Deus mais acima). É sentida, mesmo. A Igreja também é contra o uso da pílula e eu tomo-a; sem qualquer tipo de peso na consciência. Porque sei (sempre mo ensinaram) que a Bíblia é um conjunto de parábolas, não é para ser interpretada no seu sentido literal. E porque também sei que a Igreja-instituição foi alterando ao longo dos séculos o âmago daquilo que é o catolicismo. Bem, mas religiões à parte, que não é disso que estamos aqui a falar (sei lá se é Deus, se é Alá, se é Ganesha; é aquilo em que cada um acredita!), quero, uma vez mais, reiterar que sou capaz de ouvir e acatar a opinião daqueles que são a favor do aborto. Como eu tenho os meus, essas pessoas têm os seus motivos. Eu tenho amigos que são a favor do aborto e não é por isso que gosto menos deles. Conheço mulheres que já interromperam voluntariamente uma gravidez e não é por isso que as olho de lado. Apenas acho que podiam ter escolhido outro caminho...
Sobretudo, acho que é preciso, cada vez mais, falar aos miúdos desde cedo sobre a sexualidade (a sua e em geral). Para quê dizer a um menino de 9 anos que os bebés saem pela barriga da mãe, onde o Sr. Dr. faz um corte? Sim, saem. Em algumas situações. E nas outras? Nas outras explica-se. Não é preciso falar-lhes de sexo e muito menos dar-lhe uma conotação negativa. Eu revelei os factos todos ao meu afilhado mais velho (com 9 anos) de uma forma natural, sem constrangimentos, com recurso a imagens e apelando à biologia e anatomia humana. A reacção dele? Naturalíssima. Como se eu lhe tivesse explicado como é que se processa a passagem da água do estado líquido ao gasoso. Compreendeu perfeitamente e percebeu que é uma coisa da natureza: acontece com os humanos como com os animais. A palavra "sexo" nem veio à baila. Se ele a diz, é porque vê/ouve na televisão. Se ele vê um casal aos beijos, acha que vão ter sexo. Nem sei se ele sabe o que o sexo é. Eu cá não lhe expliquei. Mas ao menos não acredita que os bebés são trazidos pelas cegonhas e só por isso sinto que cumpri o meu dever.
Agora o que me custa (e surpreende, sobretudo!) é ter tido que tirar uma hora daquelas reservadas a uma das disciplinas que lecciono para explicar às minhas alunas (com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos - e todas sexualmente activas!) o que são os métodos contraceptivos e as doenças sexualmente transmissíveis. Andavam elas a tomar a pílula do dia seguinte 3 vezes por mês, a ter relações desprotegidas (sem preservativo) e a sua única preocupação era não engravidar (e as doenças, raparigas?!). A única DST que conheciam era a SIDA. Nunca ouviram falar de sífilis, gonorreia, clamídia... Da turma inteira, 99% afirmou que abortaria se descobrisse que estava grávida (a única que disse que não apareceu-me grávida um mês depois e decidiu ficar com o bebé, que a esta altura faltam poucas semanas para conhecer o mundo que o espera). É triste, esta realidade, não é? Onde estão os pais dessas crianças?? Crianças sim, porque a maturidade ali não abunda... Não as acompanham porquê? E não me venham cá dizer que a culpa é das escolas por não leccionarem a disciplina de Educação Sexual que há anos consta do programa curricular. As pessoas ainda não perceberam que a educação começa (e, em última instância acaba) em casa. A escola é um complemento e foca-se mais nos aspectos académicos. Formação cívica e pessoal aprende-se com quem nos cria e nos transmite valores. É que há uma coisa que se chama "escola da vida" e eu cá não gostava que os meus filhos assistissem a essas aulas sozinhos, sem o meu amparo...
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